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Quem paga o quê? 4 métodos para dividir as despesas mensais de um casal

ORÇAMENTO FAMILIAR
11/02/2026
6 min. leitura

 

“Tu pagas a casa, eu pago o carro”. Dividir as despesas mensais de um casal nem sempre é fácil. Até porque, para muitas pessoas, conversar sobre dinheiro é um tabu. Vamos desmistificar este tema?

 

O início de uma vida a dois é sinónimo de felicidade. É altura de fazer planos: decidir em que casa querem viver ou quando querem começar uma família. Mas existem outros assuntos que não devem ser descurados, nomeadamente “quem paga o quê”.

 

A forma como as despesas mensais de um casal serão divididas envolve transparência e comunicação. Existem muitos métodos para fazer esta divisão e é importante encontrar o que melhor se adapta às necessidades e estilos de vida do casal. Se está nesta encruzilhada, vamos dar-lhe algumas opções. Começamos?

O meu, o teu ou o nosso: contas conjuntas ou separadas?

 

O modo como irão abordar as finanças em conjunto é uma das principais decisões a tomar na vida do casal. Vão optar por juntar as contas ou mantê-las em separado? Ambas têm vantagens e desvantagens. O resultado terá impacto no bem-estar financeiro do casal, mas também na sua felicidade.

O dinheiro não é tudo

O estudo Pooling finances and relationship satisfaction, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, revela que os casais que decidem juntar todas as suas finanças tendem a ter maior satisfação no relacionamento em comparação com aqueles que mantêm as suas finanças separadas. 

Conta conjunta

 

Neste regime, o casal partilha uma conta conjunta, onde depositam a totalidade dos rendimentos de ambos. As finanças são geridas a partir dessa conta.
 

  • Prós
    1. Transparência sobre os hábitos de consumo 
    2. Facilidade em realizar o orçamento familiar com base em rendimentos partilhados
    3. Simplicidade no pagamento das despesas partilhadas
    4. Sensação de proximidade entre o casal
  • Contras

    Falta de autonomia e privacidade financeira

    Necessidade de prestar contas pelos gastos um do outro

    Ambos são responsáveis pelas dívidas que o outro possa ter

    Dificuldades em fazer a transição para contas separadas se a relação terminar

Contas separadas

 

Neste regime, cada membro do casal tem a sua conta bancária. Os rendimentos individuais são depositados na respetiva conta e a gestão das finanças é feita conforme a decisão do casal.

 

  • Prós

    Maior controlo e privacidade sobre os gastos pessoais

    Menos conflitos relacionados com hábitos de consumo diferentes

    Facilidade na divisão dos bens em caso de separação ou divórcio

    Os parceiros não têm de ser responsáveis pelas dívidas um do outro

  • Contras

    Dificuldade em aceder às contas um do outro em caso de emergência

    É necessária mais comunicação para garantir que as despesas partilhadas são pagas

    Os casais podem sentir menos proximidade

    Pode ser mais difícil contribuir para objetivos de poupança comuns

Abordagem híbrida

 

Muitos casais optam por uma abordagem híbrida: mantêm uma conta conjunta para as despesas partilhadas e contas separadas para os gastos pessoais. Ambos depositam um valor fixo numa conta conjunta para pagar as despesas comuns e o restante do rendimento fica nas suas contas individuais.

 

É uma forma de garantirem a transparência para os objetivos comuns e a liberdade individual.

Métodos para dividir as despesas mensais de um casal

Vai casar ou juntar-se? Saiba como dividir as despesas mensais de um casal de forma justa.

 

Após decidirem se vão optar por juntar as contas bancárias ou mantê-las separadas, chegou a “hora H”: decidir quem paga o quê. Fique a conhecer quatro métodos para dividir as contas. 

Método 50/50


Cada membro do casal contribui com metade das despesas. 

  1. Indicado para casais com rendimentos semelhantes;
  2. Contraindicado quando existem disparidades salariais, pois pode criar ressentimentos se um dos membros sentir que está a pagar mais proporcionalmente ao que ganha;
  3. Garante que ambos contribuem para o orçamento comum.

Exemplo:

Se as despesas mensais do casal são 1000 euros, cada um contribui com 500 euros.

Método proporcional aos rendimentos

Cada membro contribui de forma proporcional aos seus rendimentos.

  1. Indicado para casais com disparidades salariais significativas;
  2. Contraindicado para casais que prefiram uma gestão igualitária dos rendimentos, assim como aqueles que tenham rendimentos semelhantes;
  3. Assegura que as despesas mensais são pagas de forma justa e alivia a pressão financeira do membro que ganha menos.

Exemplo:

No caso em que um membro do casal ganha 2.000 euros, e o outro 1.000 euros (3.000 euros no total), com despesas mensais na ordem dos 1.500 euros, a divisão faz-se da seguinte forma:

 

Quem ganha 2.000 euros representa 66,67% do rendimento do casal (2.000€ / 3.000€ x 100);

Quem ganha 1.000 euros representa 33,33% do rendimento do casal (1.000€ / 3.000€ x 100).

 

Segundo este método, o membro do casal que ganha 2.000 euros contribui com 1.000,05 euros (66,67% x 1.500€) e o outro com 499,95 euros (33,33% x 1.500€) para as despesas mensais.

Método da divisão por tipo de despesas

As despesas são divididas por categorias de gastos. 

  1. Indicado para casais com rendimentos relativamente semelhantes e hábitos de consumo distintos;
  2. Contraindicado para casais que não mantêm uma comunicação clara sobre finanças ou que valorizam a partilha igualitária de responsabilidades;
  3. Assegura que cada parceiro fica responsável por pagar despesas específicas, em vez de dividir tudo proporcional ou igualmente. 

Exemplo:

Um dos membros do casal pode ficar responsável por pagar o crédito à habitação e os seguros, enquanto ao outro cabe o pagamento das contas mensais, a gasolina e o supermercado.

Método da divisão com base em prioridades

O casal divide as despesas segundo as prioridades de cada um. Assim, cada um contribui de forma direta para as despesas que refletem os seus gastos. Por exemplo, se um membro utiliza mais o carro, faz sentido que cubra essa despesa (despesas, impostos e estacionamento).

  1. É indicado para casais com prioridades distintas, que valorizam a independência financeira e têm rendimentos semelhantes;
  2. É contraindicado para casais com rendimentos distintos e dificuldades em comunicar sobre finanças;
  3. Assegura que cada parceiro contribui de forma personalizada, oferecendo maior liberdade nas escolhas financeiras e respeitando as prioridades de cada um.

Exemplo:

Um casal com rendimentos semelhantes pode dividir o pagamento de algumas despesas, como a renda ou o crédito à habitação, e cada um dos membros assumir os gastos das áreas que mais valorizam, como a alimentação, lazer, automóvel ou tecnologias.

4 aspetos essenciais para uma gestão eficaz das despesas mensais

Saiba como dividir as despesas mensais de um casal de forma justa
Independentemente do método escolhido, existem quatro aspetos que não devem ser descurados:
 
  1. Conversar regularmente sobre as despesas, rendimentos e objetivos financeiros ajuda a evitar equívocos e garante que ambos estão a caminhar no mesmo sentido;
  2. Cada casal tem diferentes prioridades financeiras, seja poupar para comprar casa, para viagens ou para despesas futuras. Discutir as metas comuns e definir um plano conjunto ajuda a gerir melhor o orçamento familiar;
  3. Além das despesas regulares, é essencial incluir um plano de poupança, tanto para emergências como para objetivos a longo prazo, como a reforma ou a educação dos filhos;
  4. As circunstâncias financeiras podem mudar a qualquer momento. Por isso, deve rever regularmente o orçamento e ajustar a divisão das despesas conforme a nova realidade.

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