Agricultura e Agroindústria
Culturas agrícolas emergentes para reforçar competitividade e sustentabilidade
A agricultura portuguesa está a atravessar uma das maiores transformações das últimas décadas, marcada pela diversificação das culturas e pela adaptação às novas tendências de consumo e às exigências do mercado global. O setor está a apostar em culturas emergentes que prometem não só aumentar a rentabilidade, mas também responder aos desafios da sustentabilidade e da inovação. Esta mudança é impulsionada pelo aumento do consumo de determinados alimentos, pela existência de regadios públicos e pela disponibilidade de capital, fatores que têm levado ao investimento em culturas que até recentemente não eram praticadas em Portugal ou que eram exploradas apenas de forma tradicional.
Entre as culturas identificadas como emergentes encontram-se o abacate, a amêndoa, os frutos vermelhos como framboesa, mirtilo, amora e morango, o kiwi, o pistácio, a romã, a tangerina, a uva de mesa, o figo-da-índia, a alfarroba, a avelã, a noz e até a canábis medicinal. Estas culturas apresentam características que as tornam atrativas: elevado valor económico, adaptação às condições edafoclimáticas nacionais, integração tecnológica e procura crescente nos mercados nacional e internacional. Regiões como Algarve, Alentejo e Trás-os-Montes têm sido palco de investimentos significativos, com sistemas de produção modernos e integração industrial, criando cadeias de valor e oportunidades para agricultores e investidores.
Distribuição da área por cultura
Figura 1 - Distribuição da área por cultura
Na Figura 1 está identificada a distribuição em percentagem de algumas das culturas emergentes em área instalada. Apesar de serem produzidas recentemente em Portugal, com finalidade económica, algumas destas culturas já ocupam uma área interessante, outras ainda têm pouca expressão quando comparadas com culturas já estabelecidas. A ocupação destas culturas no território português é a seguinte:
- Amêndoa – 71.689 hectares
- Alfarroba – 14.450 hectares
- Abacate – 3.577 hectares
- Frutos vermelhos – 4.922 hectares
- Kiwi – 3.528 hectares
- Pistácio – 918 hectares
- Tangerina – 3.458 hectares
Os indicadores económicos destas culturas impressionam. O abacate, por exemplo, pode gerar receitas entre 20.000 e 37.500 euros por hectare, mas exige investimentos iniciais superiores a 30.000 euros por hectare. Já os frutos vermelhos, orientados para exportação, apresentam custos de instalação que podem atingir 150.000 euros por hectare, compensados por receitas que chegam a 225.000 euros por hectare. Apesar da rentabilidade, os desafios são significativos: escassez de mão-de-obra, pressão ambiental pelo uso da água, volatilidade dos preços e riscos climáticos como geadas em novas áreas de produção. A concorrência internacional e a necessidade de certificações sustentáveis acrescentam complexidade ao setor, mas as oportunidades são claras, com crescimento do consumo mundial, possibilidade de produção em nichos premium e integração com a indústria transformadora.
Financiamento: chave para desbloquear potencial das culturas emergentes
O sucesso destas culturas depende de financiamento bancário adaptado aos ciclos produtivos. Será necessário a existência de soluções inovadoras, como linhas de crédito com períodos de carência ajustados à entrada tardia em produção de algumas culturas, produtos financeiros verdes alinhados com critérios ESG e apoio à inovação e modernização. Para a banca, este movimento representa uma oportunidade de diversificação do portefólio e de apoio ao desenvolvimento rural, mas também implica riscos: mercados voláteis, falta de economias de escala e incerteza na geração de cash-flows. Por isso, será fundamental a criação de instrumentos financeiros específicos, com garantias adicionais e spreads ajustados ao risco.
O novobanco tem uma oferta específica e uma abordagem dedicada ao setor agroalimentar, reconhecendo a importância estratégica deste setor para a economia. No novobanco queremos estar ao lado dos nossos clientes, disponibilizando soluções financeiras adequadas e personalizadas à sua realidade. Para o setor agroalimentar destacamos: as soluções de médio-longo prazo para o apoio de projetos de investimento, as soluções de curto-prazo para uma melhor gestão da atividade do dia-a-dia, a antecipação de incentivos aprovados pelo PEPAC/IFAP, soluções de factoring e confirming para um maior equilíbrio financeiro com a antecipação de receitas e pagamento a fornecedores, o financiamento para aquisição de equipamentos através do Leasing de equipamentos agrícolas, e ainda, soluções de financiamento para os processos de importação e exportação.
Portugal tem condições edafoclimáticas favoráveis e uma estratégia orientada para a exportação, o que lhe confere potencial para se tornar um player relevante no mercado europeu de produtos agrícolas diferenciados. A aposta em culturas emergentes não é apenas uma tendência, mas uma estratégia para garantir competitividade, inovação e sustentabilidade no setor agrícola. Especialistas defendem que o futuro passa por investimento em tecnologia, formação de mão-de-obra e criação de clusters agroindustriais. A integração com a indústria transformadora e a aposta em certificações sustentáveis serão determinantes para conquistar mercados exigentes e consolidar a posição de Portugal como referência na produção agrícola inovadora.
Com esta transformação, a agricultura portuguesa prepara-se para responder aos desafios do século XXI, conciliando rentabilidade com responsabilidade ambiental e social. A diversificação das culturas, aliada ao financiamento adequado e à inovação tecnológica, poderá colocar Portugal na linha da frente da produção agrícola europeia, explorando nichos de mercado e garantindo um desenvolvimento rural sustentável.
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