Turismo
Políticas públicas regionais: perspetivas e impactos no setor
Num contexto em que o setor Turismo continua resiliente e consolidado, mas com indícios de abrandamento das taxas de crescimento face ao período de recuperação pós‑pandemia e que, como tal, reforçam a necessidade de transitar de “crescer mais” para “crescer melhor” (com produtividade, qualificação e gestão da capacidade), emerge a Estratégia Turismo 2035 (ET2035) como novo referencial para a próxima década. Entre a visão estratégica nacional e os planos de ação definidos pelas entidades regionais públicas ligadas ao setor, é pertinente conhecer quais os pontos focais em que a articulação territorial é materializável, combinando prioridades comuns com identidades próprias, num paradigma em que territórios valorizam caminhos distintos.
Existem três pilares que se destacam como unanimemente comuns às ambições da ET2035 e das estratégias definidas pelas várias Entidades Regionais de Turismo, nomeadamente:
-
Sustentabilidade como
eixo transversal
-
Qualificação da oferta
e criação de valor
-
Coesão territorial
e governança
Quanto às diferentes Entidades Regionais de Turismo, todas partilham os três vetores abaixo:
-
Combate
à sazonalidade
-
Promoção
e mercados
-
Digitalização e
tratamento de dados
De seguida, partilhamos as ideias-chave em que vão assentar as linhas de atuação de cada Entidade Regional de Turismo.
Turismo do Porto e Norte de Portugal
O Plano de Ação Regional Turismo do Porto e Norte – 2030 define prioridades de investimento focadas na qualificação da oferta, valorização sustentável dos recursos culturais e naturais e promoção de produtos turísticos âncora. Como exemplos práticos, o plano prevê a estruturação, valorização e internacionalização de ativos culturais, incluindo rotas patrimoniais, Caminhos de Santiago e sítios UNESCO, inclui ações de requalificação, conservação e dinamização de museus, bem como de outros equipamentos culturais, reforçando a valorização sustentável dos recursos culturais, e propõe eventos culturais diferenciadores, focados em nichos de mercado, capazes de reduzir a sazonalidade e projetar o destino internacionalmente.
Turismo do Centro de Portugal
O Plano Regional de Desenvolvimento Turístico 2020‑2030 parte do reconhecimento de que a indústria do Turismo está em transformação — tecnologia, sustentabilidade, novos segmentos, novos hábitos e mudança no comportamento do turista — e defende a necessidade de reposicionar a região para se manter competitiva. Por exemplo, prevê a estruturação de produtos turísticos por cada CIM da Região Centro, com foco em experiências intermunicipais integradas, assume “Cultura, Criatividade e Turismo” como domínio estratégico, orientando ações de preservação e dinamização do património cultural e natural em toda a Região Centro, e integra a Rede das Aldeias Históricas de Portugal como um território‑âncora de baixa densidade, alvo de projetos de sustentabilidade, reabilitação patrimonial, mobilidade suave, dinamização cultural e reforço da atratividade turística.
Turismo da Região de Lisboa
O Plano Estratégico de Turismo da Região de Lisboa 2020‑2024 (ainda não foi publicado um plano mais atual) tem como ambições melhorar a gestão de fluxos, reforçar a qualificação dos produtos, integrar toda a região e distribuir a procura para novos polos turísticos. Algumas das medidas passam por investir na promoção de novas zonas com potencial turístico (Praça de Espanha, Alcântara e Intendente), destacadas como novos focos de atração para descongestionar o centro histórico e diversificar a experiência turística, colocar no mapa destinos subvalorizados, nomeadamente Costa da Caparica, Arrábida e Seixal, para os quais se preveem investimentos para reforço de acessibilidades e qualificação da oferta, e revitalizar as frentes ribeirinhas do Tejo – Seixal, Barreiro, Montijo e Moita (entre as ações previstas estão a requalificação de pontões, passeios, ciclovias e a reabilitação de património devoluto com potencial turístico, aproveitando também os efeitos positivos do novo aeroporto do Montijo).
Turismo do Alentejo e do Ribatejo, E.R.T.
O mais recente plano de marketing destaca a necessidade de posicionamento da marca Alentejo, envolvendo os 11 concelhos da Lezíria do Tejo. Para esse efeito, prevê a intensificação promocional em Espanha, com campanhas dedicadas às regiões fronteiriças espanholas onde o Alentejo tem maior influência turística, a apresentação internacional de Évora 27 — Capital Europeia da Cultura — nas redes de embaixadas e consulados e a mobilização de ações internacionais para reforçar a notoriedade de festividades e produtos do território (Cidade Europeia do Vinho e Festas do Povo). Adicionalmente, pretende autonomizar a marca Ribatejo, através de uma agenda própria de promoção 2026, dando visibilidade aos seus produtos regionais, nomeadamente por via de campanhas em Espanha (Andaluzia, Extremadura), presença em centros comerciais espanhóis e participação na FIA 2026 como região convidada.
Turismo do Algarve
O atual plano de atividades e orçamento define 2026 como ano fulcral para consolidar o Algarve como destino internacional competitivo, inovador e sustentável. Alguns exemplos passam pela organização do Congresso Ibérico de Enoturismo, reforçando o posicionamento do Algarve no enoturismo e consolidando sinergias com regiões espanholas próximas (INOVA Algarve 3.0), a realização da Conferência Internacional Fórum Descarbonizar+Algarve, focada na capacitação das PME para darem resposta aos desafios da eficiência energética, a promoção e a valorização do património natural e cultural da Ria Formosa através do Algarve Nature Fest e o reforço do acompanhamento do processo de candidatura do Geoparque Algarvensis à UNESCO.
Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura da Madeira
A Estratégia para o Turismo da Madeira 2022–2027 assume‑se como uma continuidade reforçada do plano anterior, mas introduz uma visão mais integrada, centrada na fusão experiencial entre Mar, Montanha e Cultura. O objetivo central é afirmar a Madeira como um destino turístico global, não apenas europeu, com experiências diferenciadoras. Para essa finalidade, aposta no desenvolvimento do Mar & Turismo Náutico, por via de atividades marítimo‑turísticas, cruzeiros, vela, desportos náuticos e exploração costeira, na valorização do património cultural nos centros históricos do Funchal e do Porto Santo e na potenciação do pilar Natureza, Turismo Ativo & Desportivo com trilhos e levadas, atividades de montanha, canyoning e trail running.
Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo dos Açores
O Plano de Atividades e Orçamento 2026 assenta em quatro pilares estratégicos: presença nos mercados emissores, desenvolvimento das acessibilidades aéreas, comunicação institucional e reforço da notoriedade internacional como destino sustentável, de natureza e aventura. A título de exemplo, estão previstas experiências sustentáveis e atividades ao ar livre nas Lagoas das Sete Cidades e do Fogo — Ilha de São Miguel, observação de baleias e atividades marítimas no Faial e Pico, a expansão das acessibilidades aéreas, o combate à sazonalidade e a promoção direta nos mercados emissores europeus.
Vejamos, agora, quadro resumo dos fatores diferenciadores entre as estratégias regionais:
O setor entra num novo ciclo com um quadro estratégico nacional (ET35) que reforça o posicionamento do Turismo como motor de criação de valor, coesão e sustentabilidade. A articulação territorial é hoje mais nítida: as Entidades Regionais de Turismo apresentam planos com metas e instrumentos concretos, ancorados em agendas regionais (2030) e em programas de promoção e eventos. Três mensagens atravessam todas as estratégias: (i) crescer melhor (valor acrescentado, experiências qualificadas, satisfação dos residentes), (ii) sustentabilidade operacionalizada (planos de ação, certificações, monitorização) e (iii) governança colaborativa (ERT, ARPT, municípios, Empresas e comunidades). Em síntese, os próximos tempos exigirão disciplina na execução, avaliação contínua e capacidade de ajustar táticas a um contexto competitivo e mais exigente.
Fontes:
www.portoenorte.pt; Plano de Ação e Orçamento - Informação Institucional; www.turismodocentro.pt; Plano Regional de Desenvolvimento Turístico 2020-2030 e Plano de Marketing Turismo Centro de Portugal - Turismo Centro Portugal; www.ertlisboa.pt; ERT-RL - Plano Estratégico para o Turismo da Região de Lisboa 2020-2024; Apresentado Plano Estratégico para o Turismo da Região de Lisboa 2020-2024 | Viajar Magazine Online; Turismo de Portugal - Plano estratégico para o turismo da região de Lisboa 2020-2024 : Um novo ciclo / José Luís Arnaut; www.visitalentejo.pt; Planos de Actividades e Relatórios de Gerência - ARPTA - Quem Somos - O Alentejo - Turismo do Alentejo; www.visitribatejo.pt; Ribatejo afirma-se como destino turístico com plano ambicioso até 2026 (vídeos e fotos) - Mais Ribatejo; www.turismodoalgarve.pt; Turismo do Algarve - Plano de Atividades e Orçamento 2026 da RTA aprovado por unanimidade; www.visitmadeira.pt; Estratégia de "continuidade" para o Turismo da Madeira até 2027 assenta em seis pilares estratégicos; Certificação destino turístico sustentável - Madeira; Açores - Visit Azores; Visit Azores aprova Plano de Atividades e Orçamento para 2026 de 8 ME | Publituris; Estratégia Turismo 2035 apresentada em 18 de dezembro - Governo; Governo apresenta Estratégia de Turismo 2035 | opcaoturismo; Estratégia Turismo 2035; Estratégia Turismo 2035: Turismo de Portugal quer ouvir ideias e sugestões | Publituris; Governo apresenta hoje a Estratégia Turismo 2035 com foco na criação de valor e sustentabilidade; Novo e-book: Guia para a Gestão Autárquica do Turismo 25-29; Conselho Estratégico para a Promoção Turística reúne no Algarve para alinhar “prioridades nacionais e regionais” de promoção externa | Publituris;
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