A evolução dos níveis de transacionalidade e de pagamentos efetuados pelas empresas fornece uma visão importante sobre a dinâmica económica. Uma diminuição no volume de pagamentos poderá indicar a contração da atividade económica e/ou o incremento nos prazos de pagamento, em ambos os casos, com prováveis impactos intersectoriais.
Monitorizando os pagamentos efetuados através do NOVO BANCO desde o início de 2019, para uma amostra de 20.000 empresas, podemos identificar o impacto da Covid-19 nessa importante dimensão da economia nacional. A amostra de empresas selecionadas é representativa da realidade nacional.
Após um período de relativa estabilidade na variação homóloga do volume de pagamentos das empresas, entre agosto de 2019 e março de 2020, verifica-se uma quebra acentuada no mês de abril, -14% face ao volume de abril de 2019.
Ainda que o estado de emergência tenha sido declarado a 18 de março, a quebra no volume de pagamentos apenas se torna visível no mês de abril, o que mostra, por parte das empresas, uma resiliência significativa no mês anterior.
Destacamos os setores com maiores e menores quebras nos pagamentos efetuados no mês de abril.

Os cash buffers foram construídos com base em três cenários de volume de pagamentos para cada empresa: i) média mensal de pagamentos em 2019 (cenário 1 - normalidade); ii) pagamentos em abril de 2020 (2 - estado de emergência); e iii) média dos volumes de pagamentos dos cenários 1 e 2.
Já o número de empresas a pagar salários reduziu de forma mais drástica no mês de março, em 6 pp, com uma redução mais ligeira em abril, de 2 pp. Padrão oposto é observado no montante de salários pagos, com uma redução de 4 pp em março (equivalente à queda do número de trabalhadores a receber salário) seguida de uma redução de 10 pp no mês de abril, em parte justificada pela entrada em vigor de layoffs.