Agricultura e Agroindústria
Portugal celebra o dia da produção nacional
No próximo dia 26 de abril, Portugal volta a celebrar o Dia da Produção Nacional, uma data criada para valorizar aquilo que o país produz, incentivar o consumo de bens portugueses e reforçar a importância económica, social e cultural da produção local.
A data, que se assinala anualmente, pretende destacar o papel central da produção nacional no desenvolvimento do país, evidenciando a sua diversidade, identidade e contributo para o crescimento económico. Ao escolherem produtos portugueses, os consumidores ajudam a fortalecer pequenas e médias Empresas, muitas delas pressionadas pela concorrência global. Ao mesmo tempo esta escolha pelo que é produzido em Portugal deve-se muitas vezes à qualidade e autenticidade que o consumidor identifica na oferta nacional.
A escolha dos consumidores
Um estudo recente da ConsumerChoice revela que os portugueses mantêm uma forte inclinação para comprar produtos de origem nacional, mas identificam vários entraves que limitam a expansão deste consumo. Entre os 851 participantes, mais de 92% afirmam adquirir com regularidade artigos portugueses, valorizando sobretudo a sua qualidade. Além disso, muitos associam o “Made in Portugal” a confiança, impacto económico positivo e sustentabilidade.
Os setores onde o consumo nacional é mais evidente são a alimentação e bebidas, o vestuário e calçado assim como o mobiliário e decoração. Já áreas como tecnologia, eletrónica, higiene e cosmética apresentam menor adesão, possivelmente devido a oferta mais limitada ou menor notoriedade das marcas portuguesas.
Apesar da elevada predisposição para escolher produtos nacionais, o preço surge como o maior obstáculo: 63% dos consumidores admitem optar por alternativas estrangeiras por serem mais acessíveis. Também são referidos problemas como a falta de variedade, reduzida disponibilidade nas lojas e menor reconhecimento das marcas.
Os consumidores sugerem várias medidas para reforçar a compra de produtos portugueses. Entre elas destacam‑se a redução de preços, uma comunicação mais clara da origem nacional, maior diversidade de oferta, melhor presença nos pontos de venda e mais investimento em publicidade e promoção.
Programa “Portugal Sou Eu”
A iniciativa “Portugal Sou Eu”, um programa estratégico que pretende aumentar a competitividade das Empresas portuguesas e sensibilizar os consumidores para escolhas mais informadas e responsáveis, tem sido uma boa ferramenta para a celebração da produção nacional. Financiado pelo COMPETE 2030 e dinamizado pela Associação Empresarial de Portugal (AEP), o programa aposta na valorização da oferta nacional, na melhoria da balança comercial e na promoção de um modelo económico sustentável.
Um dos elementos mais reconhecidos desta iniciativa é o Selo “Portugal Sou Eu”, que identifica produtos e serviços com origem nacional comprovada. Esta certificação permite ao consumidor distinguir, de forma rápida e transparente, a produção portuguesa, reforçando a confiança e incentivando o apoio direto às empresas locais.
O selo “Portugal Sou Eu” conta já com o registo de:
- 19.593 produtos e serviços
- 1.979 empresas
O programa tem sido atualizado e apresenta um conjunto renovado de prioridades, alinhadas com os desafios globais e com as metas nacionais de sustentabilidade. Entre as novas orientações estratégicas destacam‑se:
- Consumidores mais conscientes, através de campanhas que promovem produtos locais e sustentáveis, incentivando escolhas que reflitam responsabilidade ambiental e apoio à economia de proximidade.
- Sustentabilidade como eixo central, com ações focadas na economia circular, redução de desperdícios e mudança de mentalidades, sobretudo entre as gerações mais jovens.
- Empresas mais preparadas para o futuro, apoiando a transição para modelos de negócio alinhados com a estratégia ESG e acelerando a digitalização e inovação nas PME através de redes de colaboração.
A nova fase do programa traz ainda propostas inovadoras como o passaporte digital do produto, que permitirá rastrear a sustentabilidade dos bens ao longo de toda a cadeia de valor, oferecendo maior transparência ao consumidor e às empresas. Paralelamente, a rede colaborativa digital pretende fomentar o intercâmbio de conhecimento entre empresas aderentes, apoiando práticas mais eficientes e sustentáveis e aumentando a competitividade em mercados cada vez mais exigentes.
Com estas iniciativas, o “Portugal Sou Eu” posiciona‑se como uma ferramenta fundamental para reforçar a produção nacional, apoiar a modernização das empresas e responder aos desafios ambientais, económicos e sociais que marcam a atualidade.
Num momento em que a origem, a sustentabilidade e a resiliência económica são temas centrais, o Dia da Produção Nacional surge como um apelo ao orgulho e à escolha consciente: apoiar o que é produzido em Portugal é investir no futuro do país.
A perspetiva da produção agrícola nacional e o comportamento dos consumidores portugueses
A agricultura portuguesa é marcada por uma estrutura produtiva dual: por um lado, pequenas e médias explorações familiares, essenciais para a coesão territorial e para a preservação de modos de produção tradicionais e por outro, setores altamente competitivos e orientados para a exportação, como o azeite, o vinho, os hortofrutícolas e alguns produtos agroalimentares transformados. Nos últimos anos, estes segmentos têm demonstrado elevada capacidade de inovação, aumentando produtividade, eficiência hídrica e qualidade — fatores que fortalecem o posicionamento de Portugal no mercado europeu.
O Dia da Produção Nacional no setor primário ganha ainda mais relevância, reforçando a ligação entre produtores, consumidores e território. A crescente valorização da origem portuguesa, reflete-se particularmente na agricultura: os consumidores associam os produtos nacionais a maior frescura, confiança, sabor e impacto económico positivo nas comunidades locais. Esta perceção é especialmente visível em categorias tais como:
-
Frutas
Hortícolas
-
Azeite
Vinho
-
Queijos
Enchidos
O impacto ambiental associado à produção de certos produtos agrícolas e ao consumo de carne, sobretudo no que diz respeito ao bem‑estar animal, tem levado muitos consumidores a optar por alternativas de origem local ou nacional. Cada vez mais, os portugueses procuram conhecer a origem dos alimentos que compram e querem garantir que estes respeitam critérios ambientais e de bem‑estar animal. Observa‑se, assim, uma crescente preferência por produtos locais, fruta da época e animais de raças autóctones, criados em condições mais sustentáveis e cuidadosas.
Contudo persistem obstáculos que limitam uma maior expansão do consumo de produtos portugueses. O preço, influenciado pelos custos de produção mais elevados e pelas escalas menores de alguns setores agrícolas, continua a ser o fator mais determinante para afastar parte dos consumidores. A isto soma-se a ainda limitada disponibilidade nas grandes superfícies, nalguns segmentos, e a necessidade de reforçar a comunicação sobre a origem, certificações e valor acrescentado dos produtos nacionais.
Programas como o “Portugal Sou Eu” têm contribuído para mitigar estas barreiras ao aproximar produtores e consumidores e ao reforçar a visibilidade da produção nacional. No caso da agricultura, o selo funciona como um elemento de confiança adicional, ajudando o consumidor a identificar rapidamente produtos com origem nacional comprovada e incentivando escolhas alinhadas com critérios de sustentabilidade e economia de proximidade. À medida que o programa avança para novas prioridades — como a criação de um passaporte digital do produto, a promoção da economia circular e o apoio à transição ESG — a agricultura portuguesa poderá beneficiar de maior diferenciação e competitividade, tanto no mercado interno como na exportação.
Num país onde a produção agrícola tem uma forte ligação à identidade cultural e ao território, celebrar o Dia da Produção Nacional é, mais do que nunca, reconhecer o papel estratégico do setor e reforçar a ideia de que consumir produtos portugueses é investir no futuro sustentável da economia e das comunidades.
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