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SEGURANÇA ONLINE:

Perspetivas Agrícolas da UE 2025‑2035: desafios e oportunidades

A Comissão Europeia divulgou em dezembro de 2025 o relatório “EU Agricultural Outlook 2025 2035”, um documento estratégico que projeta a evolução dos mercados agrícolas da União Europeia ao longo da próxima década. As conclusões revelam um setor em rápida transformação, obrigado a ajustar-se a desafios profundos — desde as alterações climáticas ao aumento dos custos de produção — mas ainda assim capaz de manter uma elevada produtividade e preservar o seu papel central na segurança alimentar global.

Segundo o relatório, a agricultura europeia continuará a crescer em produtividade, embora a um ritmo mais lento do que o observado em períodos anteriores, devido ao peso crescente das pressões climáticas, à escassez ou aumento do preço de matérias-primas essenciais, e à necessidade de transição para sistemas de produção mais sustentáveis. A Comissão sublinha que esta trajetória de crescimento moderado é compatível com a manutenção de um setor competitivo, resiliente e dotado de capacidade para responder às exigências de mercados cada vez mais diversificados.

Ao mesmo tempo, a transformação estrutural das explorações agrícolas deverá intensificar‑se. Tendências já visíveis — como a diminuição contínua da mão de obra, a especialização crescente, a digitalização e a mecanização avançada — estão a moldar o futuro da agricultura na UE. O relatório destaca que a produtividade do trabalho continuará a ser o principal motor de rendimento, permitindo um aumento do rendimento real por trabalhador. Esta evolução será determinante para enfrentar o envelhecimento do setor e a diminuição do número de agricultores ativos.

Do ponto de vista ambiental, o Outlook prevê melhorias graduais, mas consistentes. As explorações agrícolas deverão continuar a reduzir emissões de gases com efeito de estufa e excedentes de azoto, resultado de práticas mais eficientes, inovação tecnológica e pressão regulatória crescente. A transição para uma agricultura sustentável — exigida tanto pelos consumidores como pelos decisores políticos — surge assim como um eixo central da projeção até 2035.

Prioridades da PAC pós‑2027

A Comissão Europeia propõe uma Política Agrícola Comum mais simples e orientada para resultados, com reforço de:

  • Tecnologias digitais aplicadas à produção
  • Práticas agrícolas de baixo impacto ambiental
  • Formação e capacitação técnica dos agricultores

O relatório também analisa em detalhe as dinâmicas específicas de várias atividades agrícolas. A produção de azeite, que nos últimos anos foi afetada por fenómenos climáticos extremos, deverá recuperar progressivamente, voltando a níveis mais estáveis. Já no setor das azeitonas de mesa, prevê se uma redução da produção, associada a mudanças na procura e na organização das fileiras. No caso do tomate, o Outlook identifica um crescimento significativo nos segmentos de processamento e “snacking”, enquanto se verifica uma diminuição do consumo de tomate fresco em algumas regiões europeias.

A tendência de diferenciação entre produtos frescos e transformados também se observa nos citrinos: embora o consumo e a produção de laranja fresca devam diminuir, espera se um ligeiro aumento da procura de laranja processada, refletindo novas preferências dos consumidores.

As produções pecuárias — bovino, suíno, ovino e caprino — deverão continuar a recuar. Esta diminuição é explicada por vários fatores: mudanças nos padrões alimentares, maior preocupação ambiental associada à produção animal e uma alteração estrutural das fileiras. A produção de vinho também deverá diminuir, acompanhando a tendência sustentada de queda no consumo em toda a União Europeia.

Apesar das pressões que o setor enfrenta, o relatório destaca que a UE continuará a desempenhar um papel relevante nos mercados internacionais. Os produtos agroalimentares europeus — em particular os de maior valor acrescentado — manterão um contributo significativo para o comércio global e para a segurança alimentar mundial. A UE deverá também manter níveis estáveis de autossuficiência em cereais, carne e lacticínios, mesmo num contexto de custos elevados para fertilizantes, energia e outros fatores essenciais. 

Temas estratégicos para a próxima década

  • Transição ambiental e redução de emissões
  • Aceleração tecnológica e digital
  • Sustentabilidade económica das explorações
  • Adaptação às incertezas macroeconómicas globais

Com uma década marcada por mudanças rápidas e profundas, a agricultura europeia prepara‑se para um período de forte adaptação, mas também de novas oportunidades. O futuro dependerá da capacidade de inovação, da reconversão tecnológica e do equilíbrio entre produtividade, competitividade e sustentabilidade ambiental.

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