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Eventos climáticos extremos: como preparar o setor?

O início de 2026 ficará registado como um dos períodos mais críticos dos últimos anos em matéria de fenómenos meteorológicos extremos em Portugal. A sucessão de depressões atlânticas, frequentemente descrita como um “comboio de tempestades”, provocou precipitação intensa, ventos muito fortes, cheias e inundações generalizadas, com impactos significativos em populações, infraestruturas e atividades económicas. O setor do Turismo, fortemente dependente da estabilidade territorial, da mobilidade e da perceção de segurança, foi particularmente afetado em várias regiões do país.

As tempestades Kristin, Leonardo e Marta causaram danos extensos em unidades de alojamento, equipamentos turísticos, vias de comunicação e infraestruturas essenciais. Leiria, Lisboa e Vale do Tejo, Oeste, Coimbra e Alentejo registaram milhares de ocorrências associadas a quedas de árvores, deslizamentos de terras, estradas cortadas, cancelamento de voos e interrupções no fornecimento de energia elétrica e comunicações. Para o Turismo, os impactos destes eventos vão muito além dos prejuízos materiais imediatos, tendo causado o encerramento temporário de estabelecimentos, a necessidade de cancelamentos e reembolsos e a quebra de confiança de visitantes.

Especialistas apontam que estes fenómenos apresentam hoje uma frequência e intensidade acrescidas, devido às alterações climáticas em curso. Deste modo, a preparação do setor para eventos climáticos extremos deixa de ser uma questão de contingência pontual para assumir uma dimensão estrutural. A resiliência turística carece de um planeamento de risco mais robusto, integrado nos instrumentos de ordenamento do território e nos planos de emergência municipais e regionais. A articulação entre os players do setor, autarquias e autoridades de proteção civil é essencial para garantir respostas rápidas, coordenadas e eficazes perante situações de crise.

Neste sentido, partilhamos 10 vetores de ação destinados a mitigar os efeitos dos eventos climáticos extremos: 

  • Reforço da resiliência das infraestruturas turísticas

    Adaptar a construção e a estrutura dos edifícios para resistirem melhor a fenómenos como cheias, ondas de calor ou tempestades intensas.

  • Implementação de sistemas de drenagem e proteção física

    Visa reduzir danos materiais e interrupções operacionais em zonas expostas a inundações, erosão costeira ou escorrências rápidas.

  • Desenvolvimento de planos internos de emergência

    Permite uma resposta estruturada e coordenada a situações críticas, minimizando riscos para clientes, colaboradores e ativos.

  • Formação contínua das equipas

    Assegura que os recursos humanos estão preparados para agir de forma informada, segura e eficaz em cenários de crise climática, multirrisco e elevada incerteza.

  • Criação de protocolos claros de comunicação com clientes 

    Reforça a confiança ao garantir informação transparente, atempada e consistente antes, durante e após eventos extremos.

  • Revisão e adequação das coberturas de seguros

    Contribui para limitar impactos financeiros severos, num contexto de aumento da frequência e intensidade dos riscos climáticos.

  • Aposta na digitalização e em sistemas de aviso em tempo real

    Facilita a antecipação de riscos e a tomada de decisão informada através da integração de dados meteorológicos e operacionais.

  • Flexibilização da gestão de reservas e cancelamentos

     Reduz conflitos comerciais e protege a reputação dos operadores perante situações imprevistas associadas ao clima.

  • Diversificação da oferta turística e redistribuição da procura 

    Diminui a dependência de épocas ou territórios mais vulneráveis, promovendo maior equilíbrio espacial e temporal.

  • Integração do risco climático nas políticas públicas de Turismo 

    Garante uma abordagem sistémica, articulando investimento público, planeamento territorial e instrumentos de apoio à adaptação empresarial.

Salienta-se que estão disponíveis diversos instrumentos públicos de apoio às Empresas turísticas afetadas por eventos climáticos extremos ou que simplesmente queiram materializar investimentos sob uma agenda climática. Destacam‑se as linhas de financiamento e incentivos à adaptação e resiliência no âmbito do PRR e do Portugal 2030, os mecanismos do Turismo de Portugal direcionados para a requalificação de infraestruturas, reforço da sustentabilidade e recuperação da atividade, os apoios à tesouraria, regimes de moratórias e instrumentos de garantia pública do Banco Português de Fomento.

Em conclusão, os eventos climáticos extremos que assolaram Portugal no início de 2026 constituem um sinal claro de alerta para o setor do Turismo. Num cenário de crescente instabilidade climática, preparar o setor não é apenas uma questão de resposta a emergências, mas uma condição essencial para a sua sustentabilidade a médio/longo prazo. A capacidade de adaptação, resiliência e antecipação será determinante para assegurar a competitividade dos destinos portugueses num contexto global cada vez mais desafiante.

A landscape shot of a young female traveler enjoying the view in the streets of Portuguese and Spanish cities

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