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Portrait of tourist in Alfama neigbourhood, Lisboa, Portugal.

Impactos das Capitais da Cultura na atividade turística

A designação de Capital da Cultura assumiu, ao longo das últimas décadas, um papel central nas estratégias de desenvolvimento urbano e territorial em Portugal. Mais do que um evento cultural isolado, este estatuto funciona como catalisador de investimento, requalificação urbana, criação de programação cultural continuada e reforço da notoriedade dos destinos. Os seus impactos na atividade turística são particularmente expressivos, influenciando fluxos de visitantes, padrões de consumo e posicionamento competitivo das cidades e regiões envolventes.

A Capital Portuguesa da Cultura é atribuída a municípios portugueses através de concurso público nacional, aberto a cidades que não tenham sido Capitais Portuguesas ou Europeias da Cultura nos dez anos anteriores, avaliando‑se a estratégia cultural de longo prazo, a qualidade programática, a capacidade de execução e o legado territorial. Já a Capital Europeia da Cultura destina‑se a cidades de Estados‑Membros da UE (e, em ciclos específicos, países candidatos), sendo selecionada num processo competitivo iniciado cerca de seis anos antes, com avaliação por peritos independentes da Comissão Europeia.

A experiência portuguesa evidencia que as Capitais da Cultura geram impactos relevantes no Turismo e na economia local antes, durante e após o ano oficial de programação. A maior visibilidade mediática, a qualificação do espaço público e a diversificação da oferta cultural contribuem para atrair novos públicos, prolongar estadias e incentivar visitas recorrentes. A curto prazo, verifica‑se um aumento da procura turística e da taxa de ocupação hoteleira, associados a eventos e a programação específica. A médio/longo prazo, destacam‑se a valorização da imagem do destino, a qualificação da oferta, a redução da sazonalidade e a implementação de mecanismos sustentáveis.

A título de exemplo, Coimbra (Capital Nacional da Cultura em 2003), com o seu forte capital simbólico associado à Universidade e ao património classificado pela UNESCO, evidenciou como o estatuto cultural pode reforçar um destino turístico já consolidado. As iniciativas desenvolvidas no âmbito da sua nomeação potenciaram a programação cultural contemporânea, complementando a herança histórica. Este equilíbrio entre tradição e inovação cultural contribuiu para alargar públicos, aumentar a procura em períodos intermédios do ano e reforçar a estada média, com impactos positivos na economia local.

Rumando a sul do país, Faro (Capital Nacional da Cultura em 2005) é um exemplo relevante do uso desta nomeação como motor de revitalização turística. Enquanto capital do Algarve e polo urbano frequentemente associado à função de porta de entrada aérea, a cidade procurou desde então afirmar‑se como destino cultural autónomo. A aposta em eventos culturais estruturantes, reabilitação do centro histórico e valorização do património urbano contribuiu para atrair visitantes fora da época balnear, promovendo o combate à sazonalidade e um reposicionamento do destino na lógica de short breaks culturais.

Vejamos exemplos recentes e futuros, bem como os impactos expectáveis:

 

                                                                                 cAPITAIS DA CULTURA - EXEMPLOS RECENTES E OS SEUS IMPACTOS

Aveiro

Capital Portuguesa da Cultura (2024)

Consolidação da imagem cultural contemporânea, incremento de visitantes, dinamização económica local e maior articulação entre cultura, Turismo e comunidade.

Braga

Capital Portuguesa da Cultura (2025)

Fortalecimento da programação cultural regular, captação de novos públicos, valorização do património religioso e cultural e estímulo à economia criativa.

Ponta Delgada

Capital Portuguesa da Cultura (2026)

Reforço da centralidade cultural dos Açores, afirmação externa do arquipélago, valorização da cultura regional e impactos positivos na sazonalidade turística.

Évora

Capital Europeia da Cultura (2027)

Projeção internacional do destino, investimento em requalificação urbana e cultural, aumento do Turismo cultural e reforço da economia criativa e do emprego local.

Em concurso

Capital Portuguesa da Cultura (2028, 2029)

Planeamento de investimentos que valorizarão as cidades candidatas. Expectativa de mobilização de agentes locais e preparação do território para acolher programação estruturante.

A iniciativa Capital Portuguesa da Cultura prevista para 2028 e 2029 estabelece que as cidades vencedoras receberão uma dotação anual de um milhão de euros, repartida entre as áreas governativas da cultura e do Turismo. O concurso, gerido pelo Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais (GEPAC), encontra‑se aberto, sendo as candidaturas avaliadas com base numa estratégia cultural de longo prazo, integrada nas políticas municipais de desenvolvimento, incluindo modelo de governação, sustentabilidade financeira, capacidade de execução e avaliação de impacto. Após a nomeação, a cidade vencedora deve apresentar um plano operacional em 30 dias úteis.

Em conclusão, importa sublinhar que o sucesso turístico das Capitais da Cultura não é automático, dependendo de planeamento estratégico, continuidade da programação para além do ano oficial e integração da cultura nas políticas de Turismo e desenvolvimento regional. A ausência de uma visão de longo prazo tende a limitar os efeitos a picos temporários de procura. Ainda assim, as experiências de Faro, Coimbra, Aveiro, Braga, Ponta Delgada e Évora demonstram que, quando bem enquadradas numa estratégia territorial, estas iniciativas reforçam a competitividade dos destinos, estimulam o Turismo e promovem um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável.

A landscape shot of a young female traveler enjoying the view in the streets of Portuguese and Spanish cities

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