Agricultura e Agroindústria
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A floresta portuguesa é muito mais do que um recurso natural. Com cerca de 3,35 milhões de hectares, representando 36% do território nacional, constitui um dos principais ativos económicos, ambientais e territoriais do país. A sua relevância estende-se muito para além da produção de madeira ou cortiça, sustentando uma importante fileira industrial, gerando emprego, impulsionando exportações e contribuindo para desafios críticos como a mitigação das alterações climáticas e a preservação da biodiversidade
Indicadores-síntese recentes do setor florestal português
Fonte: INE, ICNF e ForestSTATS
A importância económica da floresta torna-se particularmente evidente quando se analisa todo o setor florestal em sentido alargado. Em 2024, as indústrias de base florestal geraram 12,3 mil milhões de euros de volume de negócios, cerca de 3,2 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB) e mais de 774 milhões de euros de investimento, representando quase 10% do volume de negócios da indústria transformadora nacional.
A forte vocação exportadora constitui outro dos pilares da fileira. Em 2024, as exportações dos produtos florestais ultrapassaram 6,3 mil milhões de euros, gerando um saldo comercial positivo próximo de 3 mil milhões de euros. A indústria da pasta, papel e cartão continua a liderar as exportações, seguida pela cortiça, um dos produtos mais emblemáticos da economia portuguesa.
Portugal detém uma posição particularmente diferenciadora na produção e transformação de cortiça. Em 2024, as exportações deste segmento ultrapassaram 1,1 mil milhões de euros, confirmando a liderança internacional do país numa fileira fortemente associada à inovação, sustentabilidade e incorporação de valor acrescentado. Paralelamente, a indústria da madeira e mobiliário mantém uma relevância crescente, com um volume de negócios superior a 4,8 mil milhões de euros, evidenciando a importância da floresta enquanto base de uma cadeia económica diversificada e altamente competitiva.
Mas a floresta portuguesa desempenha também um papel fundamental do ponto de vista ambiental. Os ecossistemas florestais contribuem para o sequestro e armazenamento de carbono, proteção dos solos, regulação do ciclo da água, conservação da biodiversidade e redução dos riscos associados a fenómenos extremos. Numa época em que as alterações climáticas assumem crescente protagonismo, estes serviços ambientais tornam-se cada vez mais relevantes para a sociedade e para a economia.
Serviços ambientais prestados pela floresta
Apesar da sua importância estratégica, o setor enfrenta desafios estruturais significativos. A elevada fragmentação da propriedade continua a limitar a gestão eficiente da floresta. Cerca de 91% da área florestal pertence a proprietários privados, frequentemente associados a explorações de pequena dimensão e dispersas, dificultando investimentos, operações de manutenção e ações de prevenção.
Acrescem os riscos crescentes associados aos incêndios rurais, à seca, às pragas e às doenças florestais. O estudo evidencia que, embora o número de incêndios tenha vindo a diminuir, a área média ardida por ocorrência aumentou significativamente, refletindo uma maior severidade dos eventos e reforçando a necessidade de uma gestão ativa e preventiva da floresta. Em 2025, a área ardida total atingiu 270 mil hectares, dos quais mais de 105 mil hectares corresponderam a povoamentos florestais.
O futuro do setor passará cada vez mais pela capacidade de conjugar produtividade, sustentabilidade e inovação. A bioeconomia florestal, a valorização integral da biomassa, os novos biomateriais, a economia circular e os mercados de carbono surgem como novas oportunidades para reforçar a competitividade e diversificar fontes de rendimento. Neste contexto, a floresta deixa de ser vista apenas como fornecedora de matéria-prima, afirmando-se como um recurso central para a transição climática e para o desenvolvimento sustentável.
Em síntese, a floresta portuguesa constitui uma das mais importantes cadeias de valor da economia nacional. Com forte capacidade exportadora, um papel determinante na indústria transformadora e uma crescente relevância ambiental, o setor tem potencial para reforçar ainda mais o seu contributo para o crescimento económico e para a sustentabilidade do país. A concretização desse potencial dependerá da capacidade de promover uma gestão mais ativa, resiliente e inovadora, capaz de responder aos desafios do futuro e de valorizar integralmente os recursos florestais nacionais.
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